
“ARQUITECTO, s. m. (o vocábulo deriva da enunciação gr. Arkhitékton composta pelo prefixo arkh, que quer dizer mestre, ordenador e o substantivo tékton, que significa artesão, artífice e construtor, ou mesmo pedreiro e carpinteiro). Arquitecto é aquele que exerce, na qualidade de mestre, a arte de construir, traçando os planos e supervisionando os planos das construções. Assim, projecta o edifício, controla as fases de construção, observa as necessidades do útil e a satisfação dos desejos humanos, quer estes signifiquem ordens ontológicas, estéticas ou éticas. Vela por que as construções sejam adaptadas e, correspondendo a exigências de perfeição, cumpram também, e organicamente, a finalidade útil para que a construção observe um fim prático. Assim, duração, comodidade, beleza e segurança são as suas preocupações. Na acção de construir, quer pelos planos, quer na efectiva edificação, quer pelas ideias que propõe, o arquitecto constrói e reordena o Mundo. Uma capacidade teorizadora engloba, desde o Renascimento, a profissão do Arquitecto e assim a formulação de uma tratadística acompanha a emergência de um gosto clássico. Deste modo, a profissão evolui de prática directa de construção para níveis mais eruditos de intervenção. Desde a idade média que, pela intervenção nas fortificações e definição de pólos agregadores, a actividade intervém de um modo directo na difinição urbana, num urbanismo urbano que se sedimenta , ganhando foros de actividade técnica e artística. Situação que se mantém até inícios do século XX, em que uma nova actividade, a de planeador de cidades, se adiciona à forma prática, fazendo incluir na acção ordens complexas de que o arquitecto continua a ser o arkh-mestre. A complexidade referida obriga o arquitecto a uma acção interdisciplinar, do mesmo modo que a intervenção de novos materiais e a utilização de diferentes sistemas construtivos encaminham a sua formação para ordens que, tendo como fulcro a prática artística, o convertem em intérprete das cargas sociais, mas também no Ser que congrega as aspirações colectivas, as intencionalidades estéticas e as torna aparentes na forma arquitectónica e na dinâmica urbana”
In Vocabulário técnico e crítico de Arquitectura, Maria João Madeira Rodrigues, Pedro Fialho de Sousa e Horácio Manuel Pereira Bonifácio - Quimera 2002
Arquitetura
Perante a questão do que é boa ou má arquitetura, subscrevo a opinião de que a boa arquitetura resulta da adequação das soluções aos problemas impostos.
Uma obra de arquitetura é tanto melhor quanto mais ajustada for a resposta aos problemas que se lhe colocam e que são imensos: funcionais, climáticos, estruturais, formais, psicológicos, sociais, financeiros, tecnológicos, etc.
A arquitetura é resolver problemas! A sua avaliação é feita pelo uso e pelo tempo, distinguindo-se assim das restantes Artes, por só estar verdadeiramente completa quando vivida.
Delfim Marques
